segunda-feira, 20 de maio de 2013

Financial Times: "sensação de que tudo corre bem no Brasil é apenas uma 'fachada'"

(Fonte da imagem: VEJA)
O Brasil precisa correr para aproveitar o capital internacional existente, que atualmente é barato e abundante, para aumentar o investimento na economia. A sugestão é do jornal “Financial Times”. Em editorial publicado nesta segunda-feira, a publicação diz que a sensação de que tudo corre bem no Brasil é apenas uma “fachada” e diz que o estilo “mandão” de Dilma Rousseff é bom para evitar a corrupção, mas estaria atrasando a economia, especialmente o investimento. O texto critica ainda a escolha do governo: em vez de reformas amplas, apoia setores “mimados”, como as montadoras.

O editorial diz que o Brasil “corre o risco, mais uma vez, de frustrar imensas expectativas”. “A aparente sensação de bem-estar do Brasil é uma fachada. O crescimento da economia no ano passado foi de menos de 1%, pouco melhor que a zona do euro. Este ano, o Brasil está crescendo menos que o Japão. A inflação está corroendo a confiança do consumidor e há uma sensação de mal-estar. A causa é o abrandamento do investimento, tendência que começou em meados de 2011 e continua. Mais investimento é exatamente o que o Brasil precisa para manter os empregos e tornar-se a potência global a que aspira ser.”

O texto lembra que o investimento brasileiro equivale a 18% do Produto Interno Bruto (PIB), bem menos que os 24% destinados pelos vizinhos latino-americanos e os quase 30% dos países da Ásia. A culpa, diz o FT, é dos governantes e o problema não vem de hoje. “Brasília deve ter grande parte dessa culpa. A extravagância do modelo econômico impulsionado pelo consumo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esgotou. O modelo Dilma, apesar dos primeiros sinais promissores, está provando (apenas) ser um pouco melhor”, diz o texto.

“O estilo ‘mandão’ dela não é adequado para a persuasão colaborativa exigida pelo tipo particular de política de coalizão do Brasil. A tomada de decisão tem sido centralizada, o que evita a corrupção, mas retarda o processo. Dilma também tem evitado consistentemente as reformas orientadas para o mercado em favor do protecionismo de alguns setores preferidos e seus lobbies, como as mimadas montadoras”, critica o texto.

Para o FT, outro exemplo dessa falta de foco do governo brasileiro está na infraestrutura. “O Brasil quer captar bilhões de dólares para a construção de novos portos, aeroportos, viadutos e estradas. Existe o interesse e o compromisso firme dos investidores. No entanto, surpreendentemente, o marco regulatório em vigor não é apropriado para permitir a construção dessa nova infraestrutura. O dinheiro está sendo deixado sobre a mesa desnecessariamente”, diz o texto.

“O Brasil precisa desesperadamente de mais investimento. O baixo nível da poupança interna significa que grande parte desse financiamento deve vir do exterior. O capital está barato no momento, mas não será para sempre. O Brasil tem uma grande janela de oportunidade. Dilma Rousseff e seu governo precisam fazer as coisas acontecerem enquanto essa janela segue aberta”, diz o editorial.

Fonte: Estadão

NOTA: Não surpreende nem um pouco o editorial da principal publicação econômica do Reino Unido. Basicamente ela reproduz tudo o que muitos de nós já sabemos faz tempo. Só faço uma ressalva quanto ao fato do editorial do jornal britânico dizer que o estilo centralizador do governo Dilma evita a corrupção. Pode até ser, mas não por muito tempo. Para não dizer que estou "viajando na maionese", confira aqui e aqui. Salvo isso, faço minhas as palavras do Financial Times, com destaque para a questão do protecionismo (falei sobre isso brevemente aqui).

domingo, 19 de maio de 2013

Especial: Turismo - Parte I: como fazer com que isso se torne algo grande no Espírito Santo

(Fonte da imagem: Viaje Aqui)
Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para dar continuidade na série especial de um ano do blog, e o tema escolhido será sobre a questão do turismo no Espírito Santo, bem como o que poderia e deveria ser feito para seu crescimento no nosso Estado, por sinal uma terra com uma combinação única de belezas e de paisagens.

Dados e fatos

Antes de falar efetivamente sobre o assunto central deste tema, é necessário alguns dados para se ter uma noção do comportamento recente do turismo capixaba. As tabelas abaixo são estimativas feitas pela Secretaria de Turismo do Governo do Espírito Santo, publicadas em março de 2012 (alta temporada [1] e carnaval [2]) e agosto de 2012 (média temporada [3]).

Tabela 1 - Fluxo turístico na alta temporada (pesquisa feita em janeiro de 2012)

(Fonte: Setur)
Tabela 2 - Fluxo turístico no carnaval (pesquisa feita em fevereiro de 2012)

(Fonte: Setur)
Tabela 3 - Fluxo turístico na média temporada (pesquisa feita em julho de 2012)

(Fonte: Setur)
Somente as três tabelas permitem fazer diversas inferências sobre o turismo em nosso estado. Uma delas é que em valores absolutos na alta temporada o litoral sul capixaba (cortado pela Rodovia do Sol) seria o destino mais preferido e em termos relativos (% de turistas) seria o extremo sul de tal região (cortado pela ES 490). Isso se repete no carnaval e na média temporada tal tendência só se repete nos valores absolutos, sendo que em termos relativos, contrariando o senso comum, é o extremo norte do litoral capixaba (identificado pela Rodoviária de Conceição da Barra) que tem a maior proporção de turistas em relação ao fluxo da pessoas, e não a Região Serrana, que fica em segundo.

Os materiais disponibilizados pela Setur (os links ficarão nas referências ao final deste post) possuem diversas tabelas e gráficos sobre o assunto, porém não irei transcrever todos os itens até para não deixar a postagem muito carregada. Mas algumas informações são bastante importantes e cabem citação:

  • A fatia ocupada por estrangeiros no setor turístico em nosso estado é praticamente desprezível (participação entre 1% e 2%);
  • Dos turistas brasileiros que visitam o Espírito Santo, as cinco maiores participações provém da Região Sudeste (o que inclui o próprio Espírito Santo, que oscila da segunda à quarta maior fatia) e da Bahia;
  • Maioria dos turistas são do sexo masculino (o que se acentua no carnaval e na média temporada);
  • A média de idade dos turistas gira em torno dos 40 anos;
  • A proporção de casados é a maior na alta temporada e na média temporada, e no carnaval a proporção de solteiros é ligeiramente maior em relação aos casados;
  • Em todos os períodos pesquisados a maioria dos turistas possuem o Ensino Médio Completo e o Ensino Superior Completo;
  • A renda média dos turistas é maior na média temporada e menor no carnaval, algo que se repete na renda familiar média;
  • Na alta temporada o automóvel e o ônibus são os meios de transporte preferidos pelos turistas. Já no carnaval é o automóvel e o avião, tendência repetida na média temporada, apenas com uma inversão na ordem de preferência;
  • A média de gastos com transporte dos turistas é maior na média temporada. Já na alimentação gasta-se mais na alta temporada, e o mesmo ocorre nas compras e na diversão. Nos deslocamentos internos verifica-se uma proximidade das médias de gastos na alta temporada, no carnaval e na média temporada;
  • As maiores participações de turistas que vieram ao Espírito Santo são de pessoas que estiveram aqui pela primeira vez ou vem uma vez ao ano, em todos os levantamentos feitos;
  • Vitória, Vila Velha, Guarapari e Serra, municípios da RMGV, são os municípios em que os turistas permanecem por mais tempo, independente do período analisado (apenas ocorre uma permutação entre esses municípios na ordem de preferência);
  • A maior parcela de turistas costuma ficar entre três dias e uma semana nos municípios em que permanecem por mais tempo;
  • Nos três períodos pesquisados, o fato de rever amigos e familiares é o maior motivador da escolha do nosso estado como destino, independente do período pesquisado. Destaque para o fato de que na média temporada o fator trabalho é o segundo maior motivador;
  • Na alta temporada e no carnaval, ir à praia e curtir a vida noturna são as atividades preferidas dos turistas. Na média temporada ocorre apenas uma inversão na ordem de preferência;
  • A maior parte dos turistas desconhecem as rotas turísticas existentes no Espírito Santo, independente do período pesquisado;
  • Na alta temporada e no carnaval, a maior fatia dos turistas costuma ir em família. Já na média temporada a preferência é ir sozinho;
  • A maior média de acompanhantes ocorre na alta temporada;
  • A maioria dos turistas não possuem imóveis nas montanhas capixabas, e suas viagens são por conta própria;
  • Dos turistas que participam de pacotes de viagens, na alta temporada e no carnaval o destino escolhido são as praias. Já na média temporada o pacote mais escolhido não consta nas rotas turísticas existentes em nosso estado;
  • Independente da época pesquisada, a maior parte dos turistas fica em casa de parentes ou amigos, e os que ficam em hotéis/pousadas a maioria avalia tanto a infraestrutura como o atendimento ótimo ou bom. Isso se repete em relação aos restaurantes. Quanto às opções de lazer, isso só se repete na média temporada, sendo que na alta temporada e no carnaval a maioria avalia a infraestrutura como boa ou regular;
  • Em relação às expectativas em relação à viagem, os destinos escolhidos superaram as expectativas ou às corresponderam totalmente para a maioria dos turistas.
E o que inferir disso?

As duas informações são bem claras e objetivas: nosso estado possui pouca visibilidade em relação a turistas estrangeiros (tudo bem, até que existem iniciativas no intuito de mudar essa realidade, como o fato de nosso estado ter entrado na rota de cruzeiros) e que não somos o destino preferido pelos turistas...Do Espírito Santo! Ora mineiros, ora cariocas, ora ainda paulistas, dependendo da época do ano, eles possuem uma participação maior no turismo que os próprios capixabas, o que acaba reforçando a ideia de que não conhecemos nosso próprio estado.

Quanto ao nível de escolaridade e aos meios de transporte, podemos inferir duas coisas: uma é que a tendência é que teremos turistas cada vez mais exigentes em relação aos serviços oferecidos a eles em solo capixaba. A outra é que fica cada vez mais evidente a necessidade de investimentos em melhoria de nosso sistema rodoviário, em especial as rodovias federais que cortam o nosso estado, como a BR-101 e a BR-262, bem como a urgência da ampliação do aeroporto de Vitória, que ficará pronta em novembro...De 2015.

Também algo que pode ser dito a partir de uma das informações do tópico anterior é algo que foi dito de forma recorrente tanto nas postagens que falaram sobre a possível necessidade de se construir um aeroporto internacional em Linhares (clique aqui e aqui) e um superporto, também no mesmo município (clique aqui e aqui): existe a necessidade de haver uma descentralização da infraestrutura em relação à Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). Existem algumas possibilidades de se fazer isso, seja por uma política de incentivos fiscais para a construção/ampliação da infraestrutura turística em cidades localizadas fora da RMGV ou de forma "natural", já que os investimentos em transporte poderia facilitar essa descentralização. Lembrando ainda que uma iniciativa não precisa necessariamente excluir a outra.

Outras situações que não foram explicitadas na pesquisa mas merecem ser comentadas. Enfim...

Alem da necessidade de uma atenção maior à infraestrutura e uma maior divulgação de forma que os capixabas estejam mais dispostos a conhecerem o nosso estado, algumas coisas que não foram declaradas na pesquisa feita pela Setur merecem igual atenção: uma delas é que somos o único estado de federação em que os supermercados ficam fechados aos domingos (e olha que por muito pouco não aconteceu o mesmo com os shoppings para este ano). Especialmente nos municípios litorâneos, tal situação pode se tornar um tanto negativa, uma vez que os turistas, ficam com uma opção a menos em relação aos ambulantes e quiosqueiros, que costumam cobrar um preço bastante salgado para um petisco à beira da praia. Lembrando ainda que a maioria dos turistas que vem ao nosso estado são mineiros, cariocas e paulistas, lugares que tem supermercados abertos todos os dias e em algumas cidades ficam abertos 24 horas. 

Outra situação que mina o potencial do turismo em nosso estado e foi inclusive relatada neste blog é a falta de (ou o mau) planejamento dos governos municipais (confira aqui) em relação aos calendários de eventos e à infraestrutura já existente (algumas cidades litorâneas na alta temporada enfrentam problemas de falta de água, como mostrado aqui). Enfim, como mostrado aqui, o que falta ao nosso estado basicamente é um investimento e um melhor planejamento nos empreendimentos voltados para o setor, bem como uma melhor divulgação das belezas de nosso estado para o público local e políticas voltadas à atração de turistas estrangeiros (nesse caso haveria a necessidade de preparar os profissionais que lidariam diretamente com essas pessoas, como policiais, motoristas de ônibus, taxistas, trabalhadores do setor hoteleiro e de restaurantes, etc.), bem como o fim de certas políticas provincianas comumente adotadas por aqui. Creio que este seja o caminho para tornar o turismo algo grande no Espírito Santo.

No próximo episódio da série especial: O Minuto Produtivo dará continuidade ao tema "Turismo", desta vez enfatizando a necessidade do Espírito Santo estar preparado para brigar para abrigar os grandes eventos. Aguardem!

Referências:

terça-feira, 14 de maio de 2013

Nova identidade visual do Minuto Produtivo

(Fonte da imagem: Keven Reis)
Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para apresentar a nova imagem que será a capa do blog. Criada pelo Keven Reis (desde já, muito obrigado pela dedicação e paciência para desenvolvê-la), a nova identidade visual do MP tem a intenção de mostrar que este singelo espaço na blogosfera está caminhando para um novo momento, com mais interatividade mas ao mesmo tempo com mais simplicidade e fluidez, sem perder o bom gosto.

Como foto de perfil da fanpage do blog no Facebook e no Twitter, entra um novo relógio. Confira:

(Fonte da imagem: Keven Reis)
Enfim, e o início de uma nova fase no blog. Mas uma missão é certa: estaremos dispostos a fazer com que seu minuto seja cada vez mais produtivo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Associated Press falando o que muitos de nós já sabemos faz tempo: andamos em cadeiras elétricas ambulantes. Ou: Collor continuaria falando que nossos carros são carroças!

(Fonte da imagem: Estadão)
Bom dia pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para comentar uma reportagem da Associated Press na qual existem duras mas previsíveis críticas aos carros que são produzidos no Brasil, que como nós sabemos são caros e em geral de qualidade inferior. Também aproveito o momento para pedir desculpas pelo fato da postagem especial sobre o turismo no Espírito Santo não ter saído neste final de semana. As comemorações do Dia das Mães e o fato de tal postagem ser desenvolvida em equipe (o que exige um nível de discussão maior) acabaram atrasando a continuidade da série. Desde já peço a compreensão de todos. Mas voltando ao assunto da postagem atual, segue abaixo uma matéria do Estado de S. Paulo que cita essa reportagem da agência americana. Volto mais tarde.

"O jornal americano The New York Times publicou em seu site ampla reportagem da agência Associated Press intitulada "Carros feitos no Brasil são mortais".

A reportagem afirma que os veículos produzidos no País são feitos com soldas mais fracas, poucos itens de segurança e materiais de qualidade bem inferior aos dos fabricados nos Estados Unidos e na Europa.

"O que acontece quando esses veículos vão para as ruas está se transformando numa tragédia nacional", afirma a reportagem. A Associated Press é uma das agências de notícias mais antigas do mundo, fundada em 1846. Ela fornece noticiário para mais de 1,7 mil jornais e cinco mil emissoras de rádio e TV.

A alta taxa de mortalidade no trânsito no Brasil seria quatro vezes superior à americana, resultado da fragilidade dos modelos brasileiros. O artigo aponta que de cada cinco carros analisados no País, quatro não passariam em testes de colisão feitos por empresas independentes.

Em resposta ao polêmico artigo, as montadoras declararam que os automóveis brasileiros respeitam normas de segurança vigentes no Brasil. O número de mortes de motoristas e passageiros é atribuído por elas à má conservação de ruas e estradas.

Enquanto nos Estados Unidos a margem de lucro para as montadoras automotivas é de meros 3%, no Brasil seria de 10%, segundo o artigo. A diferença viria da economia com a qualidade dos produtos.

Outro número levantado chama à atenção: da última década para esta, subiu em 72% o volume de mortes no trânsito do Brasil. O artigo relaciona esse dado ao boom da classe média brasileira.

Em dez anos, 40 milhões de pessoas ascenderam das classes D e E à classe C. Nessas condições, a quantidade de gente comprando o primeiro automóvel aumentou. Assim, com mais motoristas de carros inseguros nas ruas, as mortes tendem a ser cada vez mais frequentes.

A reportagem da Associated Press ouviu Alexandre Cordeiro, representante do governo brasileiro, que admitiu a falta de equipamento de testes de impacto (crash-test) no governo federal e a necessidade de aperfeiçoamento da legislação relativa à segurança veicular."


Voltei...

Como disse no início desta postagem, a matéria da Associated Press fala sobre algo que nós já conhecemos faz um certo tempo: pagamos caro para termos veículos que em geral são inferiores aos modelos europeus e norte-americanos. E antes que alguém diga que isso é "complexo de vira-lata", vale lembrar que mesmo os carros fabricados no Brasil apresentam diferenças entre os modelos comercializados aqui e os exportados para o Velho Continente, por exemplo. O vídeo abaixo é uma pequena demonstração disso:

Test-drive do VW Fox Geração 1. O modelo comercializado no Brasil é o de cor preta e o europeu é o de cor vermelha.


Outros fatos que corroboram com o dito pela Associated Press são que até hoje o Mille Fire (com aquele mesmo formato de caixote dos anos 80, ainda com algumas outras) e a Kombi (que salvo alterações, ainda que poucas, possui a mesma estrutura dos anos 60) não saíram de linha. E voltando a falar do Fox (o primeira geração, especificamente), o recall que tal modelo da Volkswagen passou faz cinco anos foi justamente causado por diferenças de projeto (poderia ser incluído como a tal economia com a qualidade dos produtos) do banco traseiro do modelo brasileiro em relação ao europeu, o que levou inclusive à perda de dedo de alguns proprietários. Ah, e poderia de falar de outros casos que continuam corroborando com a conclusão lamentável mas previsível da AP, como o FIAT Stilo que solta rodas e os re-re-re-re-recalls da Família VW Gol...

Sobre a resposta das montadoras e do Sr. Cordeiro, representante do governo federal, é possível formular algumas hipóteses sobre o tema, a saber:

1) As exigências de qualidade e de segurança para os veículos brasileiros devem ser muito frouxas em relação aos norte-americanos e europeus;

2) Mesmo com exigências mais frouxas, as montadoras ainda conseguem pisar na bola, prova disso são os casos citados no parágrafo após o vídeo do crash-test do Fox. Resta saber se essas fazem isso por incompetência, ou má fé, ou ainda ambos (só falta determinar as proporções de cada um);

3) Sabendo disso, considerando o fato de que as montadoras vendem menos por mais, pensando que estas ultimamente receberam incentivos fiscais do governo federal, as duas hipóteses anteriores e mesmo assim batemos recordes após recordes de vendas de carros ano após ano, existe uma grande possibilidade de que alguém está sendo feito de otário nessa história. Pior: mesmo a pessoa SABENDO que está sendo feita de otário, existe uma possibilidade tão grande quanto ou ainda maior de que esta queira continuar sendo feita de otário.

E quem é esse alguém que está sendo feito de otário? Adivinhem, é quem compra o carro, mesmo sabendo desta zorra toda! E disse que muitas pessoas acabam sendo "otárias opcionais" pela mentalidade (péssima, por sinal) que ainda vigora por aqui de que carro é um "bem de investimento"(e não um bem de consumo como é uma geladeira, um computador, um smartphone) e que qualquer pacote de opcionais ou mesmo de alguns itens de série transformam o que seria um popular pé-de-boi lá fora em um sinônimo de luxo, status e sofisticação por aqui (e só por aqui mesmo). Pior é pensar que muito carro importado mais equipado, porém com alguns anos a mais que as carroças os "carrões" nacionais equipados, sai mais em conta para comprar.

Pior é que achamos que temos moral de criticar a "falta de segurança" dos carros chineses, mas ora, sendo que a indústria automobilística aqui no Brasil tem mais tradição e porque não dizer know-how, não seria mais vergonhoso que com tudo isso tenhamos que nos comparar aos "intrusos" no nosso mercado?

(Fonte da imagem: Melhor Blog Automotivo)
Talvez a última saída seja fazer isso que está sendo proposto na imagem acima, no sentido de termos carros de verdade e não cadeiras elétricas ambulantes como ainda se vê por aqui. Ah, esta imagem é de 2009.

Uma das frases atribuídas ao ex-presidente Fernando Collor era que os carros nacionais eram carroças. Mais de vinte anos depois tal citação continuaria atual.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Queda livre na indústria capixaba: produção cai pelo quinto mês seguido

(Fonte da imagem: A Gazeta)
A indústria capixaba segue ladeira abaixo. Em março, a produção geral do setor no Estado encolheu 0,3% na comparação com fevereiro. Na comparação com março do ano passado, queda de 13,06%. Trata-se do quinto mês consecutivo de variação negativa. No ano, a queda da produção industrial do Espírito Santo é 11,5% na comparação com o mesmo período de 2012. Os números foram apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os segmentos, o pior resultado de março foi o da indústria de transformação, com uma queda de 18,56%. Dentro dessa atividade, a metalurgia básica apresentou uma taxa negativa de 42,17%, e alimentos e bebidas (-18,56%) tiveram os piores desempenhos. A indústria extrativa (petróleo, gás e minério), que por algum tempo segurou o bom desempenho industrial do Estado, despencou 5,5% no mês retrasado.

No acumulado do ano, as situações de penúria se repetem. A indústria de transformação apresenta uma queda de 18,4%, com metalurgia básica (-38,71%), e alimentos e bebidas (-24,45%) puxando o desempenho do segmento para baixo.

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, a indústria capixaba sofre mais que a de outros Estados com a crise que abate a economia internacional e se beneficia menos com o aquecimento do mercado interno.

“Somos muito dependentes de grandes e poucas indústrias, que dependem do mercado internacional aquecido para terem bons resultados. Veja que a Vale está com as usinas I e II fechadas desde novembro, e a ArcelorMittal está com o alto-forno 3 abafado há algum tempo. Essas grandes plantas movimentam um número significante de fornecedores. Se elas estão devagar, os fornecedores não têm para onde correr. É o chamado efeito dominó”, argumentou Guerra.

Para ele, esses maus resultados evidenciam a necessidade que o Estado tem de diversificar sua base industrial. “Hoje, dependemos muito lá de fora, temos de trabalhar para dependermos menos, precisamos atrair e fomentar companhias com foco no mercado interno. Itatiaia (Sooretama), Weg (Linhares), Jurong (Aracruz), Marcopolo (São Mateus) e Bertolini (Colatina) devem mudar um pouco esse panorama de hoje”.

Além da questão internacional, Guerra lembra que a Fibria deu manutenção na fábrica A no primeiro trimestre, o que prejudicou o desempenho da indústria de celulose nos primeiros três meses do ano. [...]

Fonte: A Gazeta

NOTA: Não seria o Espírito Santo um lugar imune à má fase da economia brasileira, ainda mais se levarmos  em conta que somos muito mais abertos ao comércio exterior em relação ao restante do país, como ressaltado pelo Sr. Guerra. E abre o olho, governador Casagrande.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Murilo Ferreira: "Achar que nós vamos ter um cenário benigno para o Brasil [...] pode ser um pouco de ingenuidade"

(Fonte da imagem: Exame)
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, considera "ingenuidade" acreditar que o Brasil está imune à crise internacional. Diante de uma plateia de representantes da cadeia siderúrgica, no Rio, Ferreira demonstrou preocupação com os rumos da economia.

"Achar que nós vamos ter um cenário benigno para o Brasil, desacompanhado do resto do mundo, pode ser um pouco de ingenuidade, na minha visão. Infelizmente, nós, muitas vezes, acabamos vendo as coisas com lentes mais apuradas para o Brasil. Mas temos de também notar a situação mundial", afirmou, ao dizer que a crise financeira iniciada em 2007 ainda não terminou.

O tom preocupante dele reforçou o pessimismo que imperou no 24.º Congresso Brasileiro do Aço. Durante o evento, presidentes de duas das principais siderúrgicas que atuam no mercado nacional traçaram um cenário nebuloso para o setor. [...]

O presidente da Vale disse que o diagnóstico econômico mais nebuloso foi formado após uma longa lista de viagens internacionais. "Fui eleito presidente da Vale, mas na realidade eu tenho sido mais um piloto de avião. No ano passado, estive em 161 viagens ao exterior e posso dizer que o ambiente que eu encontro mundo afora é muito duro", revelou.

Ao pedir a palavra após ter discursado, Ferreira argumentou que não é preciso fazer contas mais elaboradas para concluir que existe um processo de recessão mundial, com alguns países passando por "ajustes complicadíssimos".

O presidente da mineradora citou a crise na Europa e a dívida de US$ 16 trilhões dos Estados Unidos como alguns dos principais desafios a serem enfrentados pela economia mundial. De acordo com Ferreira, alguns países passam por uma situação semelhante à vivida pelo Brasil nos anos 1980.

Fonte: Exame

NOTA: De fato, como dito pelo Sr. Ferreira, é muita ingenuidade pensar que estamos completamente blindados da crise econômica mundial que caminha para o sexto ano. É só pensar que no biênio 2011-12 tivemos o pior crescimento do PIB desde o governo Collor. E arrisco um palpite: a bomba da crise econômica estourará em nossa mão quando passar os grandes eventos - a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Ou seja, o pior ainda não passou para nós. Ele ainda está por vir.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A receita para pararmos com o PIBinho está a nossa frente. Há pelo menos dez anos...Ou: continuaremos culpando a "herança maldita"?

(Fonte da imagem: Ordem Livre)
Boa tarde pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para falar de um tema bastante recorrente tanto neste blog como no noticiário econômico do país: o que impede o Brasil de crescer mais. Logo de manhã, antes de ir para a academia, acessei minhas redes sociais (como de costume) e vi algumas notícias interessantes sobre o assunto. Bem, transcreverei três notícias, sendo as duas primeiras do Valor Econômico e a última da Folha de S. Paulo. Volto mais tarde para comentar.


"O executivo José Galló, presidente da Renner, vencedor da 13º edição do prêmio "Executivo de Valor" no setor de comércio (varejo e atacado), disse que, para o país voltar a crescer é preciso uma retomada da confiança no mercado e um processo de novos investimentos, mas há hoje uma “razoável dose de temor de novos investimentos” no Brasil.  

"Não adianta você ter um país com oportunidades, com possibilidades, mas não ter investimentos. Eu tendo a acreditar que governos e autoridades já se deram conta disso e acredito que devem começar a trabalhar nisso".

Quanto às pressões inflacionárias, Galló disse que a empresa não sentiu esses efeitos, que o preço do algodão está controlado, mas existem pressões maiores nos custos de mão de obra e é preciso ficar atento a isso.

Entre os problemas citados por ele que impedem o crescimento maior do país estão a “burocracia paralisante, alta carga tributária e altos custos da mão de obra no país. Entre os fatores que mais o preocupam, numa lista de seis itens, a inflação está em primeiro lugar, seguida de câmbio, mão de obra, custo de crédito bancário, inadimplência e demanda fraca." [...]"



"A formação de mão de obra e o custo do crédito bancário são os dois problemas econômicos do país que mais preocupam o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A. [...].

Aos dois temas o executivo do grupo Odebrecht, um dos maiores conglomerados brasileiros, deu nota 9 em uma enquete realizada pelo Valor com todos os vencedores do prêmio. "É fundamental o crédito para a pequena e média empresa, para o consumidor final e financiamentos para projetos", afirmou o executivo, que assumiu o cargo  em 2009.

Sobre a qualificação de mão de obra, ele afirmou que é um problema atrelado ao tema da Educação. "Sempre falo: no longo prazo, tem de se preocupar com a formação da futura geração; no curto prazo, a qualificação profissional".

O câmbio também gera um grau de intranquilidade para o empresário, questão que pontuou com nota 8. "Enquanto o país tem gargalos estruturais e na economia, precisa de uma taxa de câmbio favorável para compensar". O nível ideal para garantir isso, disse, tem de ser do patamar atual (em torno de R$ 2,00) para cima.

Para demanda fraca, inflação e inadimplência dos clientes o empresário disse não ver muito razão para se preocupar e concedeu apenas nota 2 para cada um. A inflação, informou, não está afetando seus negócios. "Vejo sob controle. Mas é algo que requer sempre um pouco de cuidado, pois o Brasil ainda carrega uma cultura inflacionária latente".

Para Marcelo Odebrecht, dois outros pontos que o governo deve cuidar bem são a infraestrutura — não só para eliminar o déficit atual do país, mas também para se antecipar às necessidades futuras — e o aumento da produtividade da mão de obra, aliado com continuidade do aumento da renda dos trabalhadores. [...]"



"Os problemas gerados pelo gargalo logístico do agronegócio nacional foi o tema central da abertura da 20ª edição da Agrishow, tradicional feira de tecnologia agrícola que começou nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).

"É o fim do mundo. Não é mais possível continuarmos convivendo com essa coisa maluca. É uma chaga que nós precisamos cuidar, e com urgência", disse Maurílio Biagi Filho, presidente da Agrishow.

Ele afirmou ainda que os problemas da logística nacional encarece o Brasil. "Isso representa um peso enorme na conta final do agricultor. Representa um peso danado em nosso cotidiano, na vida de todos nós, brasileiros."

Neste mês, pela segunda vez, importadores chineses cancelaram a compra de soja brasileira, alegando quebra de contrato. O motivo é o atraso no embarque causado por problemas de infraestrutura.

Como a Folha publicou neste mês, a fila de caminhões que transportam soja para exportação pelo porto de Santos é de um dia.

Presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cezário Ramalho da Silva, afirmou que há seis anos o setor vem alertando o governo sobre a necessidade de investimentos de infraestrutura para evitar os problemas logísticos do país.

"A infraestrutura do Brasil é uma vergonha nacional, mundial. Nós trabalhamos, nós produzimos, vendemos, somos mais eficientes em todos os produtos que temos, comercializamos muito bem, mas não conseguimos entregar."

Cezário afirmou ainda que o problema da logística vai persistir no país e não haverá tempo de achar soluções no curto prazo. "Vamos sofrer de novo no ano que vem porque a safra vai crescer mais. E para resolver isso precisaríamos de dez anos.""

Voltei...

Bem, basicamente o que os senhores Galló, Odebrecht, Biagi Filho e Silva disseram não são (ou não deveriam ser) nenhuma novidade para nós e em boa parte são resumíveis a duas palavrinhas: "Custo Brasil". Ao menos em parte explicam o aparente ocaso que nossa economia viveu nos últimos dois anos, com direito a uma inflação completamente incoerente com o crescimento do PIB.

Um item, no entanto, chamou a atenção, sendo que além de destacar em negrito acabei sublinhando: nossos gargalos logísticos, um dos entraves ao desenvolvimento do país, seriam resolvidos em dez anos, segundo Silva, sendo que antes disso ele disse que o setor rural vem alertando o governo há seis anos sobre tais problemas. Coincidência ou não, dez anos é justamente o período que os petistas (Lula e posteriormente Dilma) estão no poder. E como dito na última notícia, a trupe de Brasília não pode reclamar de falta de aviso.

Enfim, a boa fase gerada pelo boom das commodities e pelo anabolismo da China parece estar passando. E infelizmente estamos pagando o preço de ficar jogando para a torcida, apenas culpando a "herança maldita".